Um país pra lá de surpreendente: Estônia

Imagina que você é um pássaro. Para onde você voaria: iria ao sabor do vento para levar para qualquer lugar ou preferia ter conhecimento prévio da onde quer chegar? Muitas vezes a gente comete o pecado de limitar esses destinos de viagens a lugares badalados: Estados Unidos, Canadá, China, África, França… Tem vezes que as correntes de ar nos levam para lugares que talvez não estariam na nossa lista de prioridades e nos surpreendem como é o caso do país que abordarei hoje: a incrível Estônia. Como é bom ver as coisas com olhar de aprendiz curiosa. Foi com essa premissa que percorri esse país por sete dias e trago para vocês uma bela sugestão de rota.

 

 

Junto com a Letônia e Lituânia, a Estônia faz parte dos chamados Países Bálticos. Integrante da União Europeia possui 1.520 ilhas somando no total um território de 45.000 Km². É um país que tem pouca experiência em ser independente. Depois de sete séculos de dominação russa, alemã, sueca, polonesa e dinamarquesa — sem falar das invasões dos vikings antes do século 13 – conseguiu ser uma nação autônoma em 1918, mas em 1940 foi anexado à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), só conseguindo se livrar em 1991 com o fim da Guerra Fria.

 

A independência da Estônia teve uma peculiaridade em relação às demais por ter uma “Revolução Cantada”. Naqueles dias em que o vento da liberdade soprou entre os estonianos, as pessoas foram para as ruas e cantaram a plenos pulmões os hinos e canções patrióticas que foram proibidas nos longos anos de dominação soviética. Por causa desse episódio ficou conhecida como “Singing Nation” (Nação Cantante).  É uma nação que dá muito valor para música, prova disso são sua história e a disponibilidade de espaços e arenas destinadas para festivais e eventos musicais.

Os 1.257.921 habitantes da Estônia que vivem lá – sendo 70% em áreas urbanas – são governados por uma mulher. Ao conversar com os locais, percebi uma forte empatia e aprovação de seu governo. Aliás, se hoje há polêmica com relação a urnas eletrônicas no Brasil, na Estônia eles já foram um passo além visto que é o primeiro país no mundo em que o pleito eleitoral é feito via internet. Você pode votar de casa, do celular, tablet… se eu fosse estoniana certamente a última coisa que eu precisaria na vida seria assinar pacote de dados no meu celular.

 

A impressão que se tem quando se percorre a Estônia é que a rede mundial de computadores é tratada como um “sexto elemento essencial e indispensável” para se viver. É o país mais conectado do mundo. Eu andei por bosques e lugares remotos e havia wi-fi disponível de ótima qualidade. De graça. Tudo é conectado na internet. Enquanto que no Brasil de 2018 uma greve de caminhoneiros parou o país, na Estônia em 2007 o país parou da mesma forma que aqui em razão de um ataque cibernético que paralisou serviços de transporte, alimentação e comprometeu a economia do país na primeira guerra cibernética de grandes proporções que se tem notícia.  

A minha conexão com o país foi mais forte que o sinal do wifi que tinha por lá. A capital do país, Tallin, me surpreendeu muito. Ficamos hospedados na Old Town Tallin, que foi votado como a cidade medieval mais preservada da Europa. É um local muito charmoso com construções datadas de 1300, 1400 e até mesmo da época do descobrimento do Brasil em 1500 muito bem preservadas. Comi em restaurante típico medieval onde a refeição era um túnel do tempo: os garçons pareciam vindos de filmes daquele tempo, pratos e canecas pareciam de Game of Thrones, mas eles me garantiram que o lugar existe mesmo antes do mundo ser tomado pela febre da série. Para o público que gosta desses eventos medievais que são promovidos mundo afora – inclusive no Brasil – Estônia não pode deixar de ser visitada.

No dia seguinte fomos para o Country Side, a parte mais voltada para natureza. Visitamos uma antiga base militar soviética que hoje virou ponto turístico e não foi à toa: a vista da beira do Mar Báltico é de tirar o fôlego, sobretudo no topo de um farol que tem por ali. Um fato que eu só descobri em pesquisas é que 20% do território da Estônia é pântano. Nesses lugares o país se preocupou em construir aos turistas espécies de passarelas em que as pessoas andam em segurança para conhecer esse ecossistema que lembra muito o nosso mangue brasileiro.

Creio que quem está lendo este texto deve estar achando estranho que até agora não falei qual foi a minha dose de adrenalina por esse país báltico. Depois de dias como uma turista mais tradicional apenas visitando lugares e tendo experiências locais – o que tem um encanto sim, admito – fui para alguns lugares ter contato com uma modalidade esportiva encantadora muito valorizada mundo afora.

Se eu comecei este meu texto voando e terminei aterrissando pela Estônia, o próximo será na agua na semana que vem mostrando o que nossa equipe realmente foi filmar lá.

 

Fotos: Marcelo Rabelo e Christian Dimitrius

 

 

Agradecimentos

AIRFRANCE

PUMA

Motorola

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TravelAce

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By Karina / Administrator on jun 01, 2018

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